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Eu, política, esquerda, direita & derivados




Ao longo das eleições de 2018 escolhi não me pronunciar em relação à eleição presidencial, por ter amigos, familiares e gente querida com opiniões divergentes e respeitar essas opiniões, e principalmente, por ser a minha opinião completamente irrelevante para quem quer que seja. Então guardei apenas para mim e me reservei o direito de usar o voto secreto. 

Mas as coisas mudaram bastante no Brasil. 

A morte de Marielle Franco, ainda sem nenhuma explicação concreta, parece ser a ponta de um iceberg enorme, criminoso, cruel e nefasto. Jean Wyllys tem que ir embora do Brasil por ameaças sérias de morte contra ele, a mãe e o irmão. Essa semana fiquei sabendo que o pastor Ricardo Gondim, poeta, escritor, teólogo, filho de preso político da Ditadura e líder da Igreja Betesda - um dos homens do nosso tempo que mais admiro - recebeu ameaças por telefone do tipo "a gente sabe fazer ele ficar quieto" minutos antes de subir ao altar da igreja para pregar seu sermão. 

Tudo isso por que? O que esses três tem em comum? 

Eles não seguem a corrente direitista "conservadora / cristã / defensora da moral e bons costumes / defensora da família" tão em moda nos últimos anos. Para alguns seguidores mais fanáticos dessa "tendência" (alguns, não todos), qualquer pessoa que ouse contestar, questionar ou criticar seu ponto de vista deve ser achincalhada, envergonhada, exposta, e até mesmo deve ser calada, independente de que forma seja. 

Se é pra escolher um lado, essa escolha ficou fácil. Estarei sempre do lado que defende a liberdade de qualquer um ser o que quiser. Seja ele gay, hétero, lésbica, cristão, ateu, umbandista, espírita e etc e tals. E que essa pessoa tenha não só o direito de ser, mas de demonstrar isso em público e de construir sua vida com base na sua própria personalidade - meio óbvio até, né? Mas tem quem seja contra. 

Estarei do lado que defende a ciência e o aprofundamento dela na sociedade, colocando evidências ("e nessa loucura de dizer que não te quero" tá, parei!) no lugar de suposições e crenças religiosas. 

Estarei do lado que defende que a segurança pública é obrigação do governo, e se ele não nos protege de forma efetiva, não é transferindo essa obrigação à população que isso vai se resolver. 

Estarei do lado que defende que a mulher é dona do próprio corpo, e a ela, e unicamente ela, cabe decidir o que fazer com ele. Ou seja: sim, sou a favor do direito da mulher ao aborto. 

Estarei ao lado que defende que os mais pobres devem sim ser compensados de alguma forma por não terem conseguido entrar no mercado de trabalho, seja com ajudas assistenciais – como o Bolsa Família – seja por meio de bolsas de estudo e cotas. 

Estarei do lado que defende que as Forças Armadas devem fazer seu papel de defender o território nacional, e não de militarizar a vida política do Brasil. 

Estarei do lado que condena qualquer tipo de "caça as bruxas", seja por ordem política ou ideológica. Aliás, caso voltemos à Idade Média, aviso que estou do lado das bruxas, taoquei? 

Isso me faz ser de esquerda? OK, sou de esquerda, então. 

Ah, e ser de esquerda não me torna petista, assim como quem sempre se definiu de direita nunca se sentiu representado pelo PSDB. 

E o fato de sermos de esquerda num governo direitista não me torna um ranzinza em relação ao que acontece no Brasil. Seja Lula, Bolsonaro, Pablo Vittar, Silvio Santos ou o vendedor de tempero da rua da minha casa, quero que o governo acerte em suas decisões. Disso depende a minha vida e a de mais de 200 milhões de pessoas. 

Pra concluir: a minha foto de criança é só pra vocês continuarem gostando de mim! 😇

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