Agatha




Entre o primeiro contato e o dia em que enfim nos encontramos deve ter se passado mais de um mês (e entre o ensaio e a edição das fotos mais de um mês, sorry!), num desencontro de agenda dela e minha. Sempre deixei claro para ela que nosso encontro de forma alguma deveria atrapalhar a rotina dela, ou seja, não queria que ela desmarcasse compromissos para dar a entrevista ao blog. E ela, numa simpatia que não estou muito acostumado a ver, sempre se desculpava a cada vez que precisava desmarcar ou remarcar, inclusive mandando áudios e oferecendo outras datas para se encontrar. "Cara, essa menina parece ser super gente boa", era minha conclusão a cada conversa com ela. 

E num dia, numa conversa pelo WhatsApp, quando comento que estou estudando fotografia sensual, ela se oferece para posar para mim como modelo. Eu precisava praticar o curso e ela precisava de fotos novas para seu site. Pronto, o encontro estava marcado. 

Às 11:15h de uma quinta-feira ela chegou à suíte do motel que havia reservado para nossa sessão de fotos. Ela é linda, incrivelmente linda como demonstra nas poucas fotos que publica em seu perfil de trabalho no Twitter. Com uma desenvoltura incrível, ela rapidamente se produziu e vestiu a lingerie que usaria para o ensaio.





Mais do que uma modelo que espera ser clicada, ela foi uma simpatia de pessoa, sugerindo poses, esperando pacientemente minha inabilidade de iniciante com a câmera, aceitando cada sugestão minha. Percebi que ela também se divertiu com o ensaio, e essa era minha intenção. 

Após as fotos, almoçamos e esse foi o momento para a conversa que nem classifico como "entrevista", pois parecia mais um bate papo entre amigos. Ela trabalha há pouco tempo como garota de programa, há menos de um ano, por indicação de uma outra amiga também GP, após passar por um período complicado na vida pessoal. Além dos atendimentos, atua também como maquiadora, área em que tem uma boa formação e já algum tempo de experiência. Teve a sorte de nunca passar por situações complicadas em atendimentos, como clientes mal educados ou coisas do tipo. Usa inclusive um tom carinhoso quando fala dos clientes que atendeu e da forma respeitosa com que tem sido tratada por eles. Disse se sentir muitas vezes mais bem tratada como acompanhante do que como mulher "civil" numa balada, por exemplo. Foi nesse momento que entramos uma conversa quase filosófica sobre o que leva um homem a ser tão gentil com uma garota de programa, ideias que posso reproduzir num outro post, num outro dia.

E dá pra ganhar muito dinheiro com os atendimentos? "Não tanto como pensam, mas consigo pagar minhas contas", diz ela.


Apesar da sorte em encontrar bons clientes até aqui e de conseguir se manter, ela não pretende ficar muito tempo no ramo do sexo. Os atendimentos servem mais como um "quebra-galho" de uma mulher muito bem resolvida com o corpo e a própria sexualidade enquanto não consegue uma recolocação profissional. Daí a ideia de fazer não uma "entrevista" propriamente dita, mas sim uma conversa informal, um bate papo sobre várias coisas, incluindo os atendimentos como GP.

Mas, além de tudo, a Agatha é uma vencedora. Dona de uma personalidade forte, ela não é daquelas que aceitam se sujeitar a vontade de outra pessoa.  Ela não "baixa a cabeça", mesmo que isso já tenha custado caro a ela. Ela tem sua vida pessoal, tem consciência dos seus limites e não aceita que a digam o que deve fazer, ela mesma traça seus planos e seus caminhos, com todas as implicações que isso possa ter. Ela é daquelas que não fazem nem um pouco o estilo da "bela, recatada e do lar", exceto pelo bela, adjetivo que lhe cai perfeitamente. 

Ao fim do almoço, pegamos nossas coisas e fomos embora e, de quebra, ainda ganhei carona até a Avenida Paulista com uma conversa muito interessante no caminho. Aos poucos, conforme ela ficou à vontade para conversar mais, e abrir um pouco da sua vida pessoal para mim, inclusive com suas angústias e medos, pude constatar que estava diante de uma das mulheres mais incríveis e autênticas com quem já conversei. 

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