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Veja como foi a reunião que definiu o clipe de "Eu Escolhi Você", da Clarice Falcão | Freakpedia #42




Por Wes Talaveira



(Estão na sala Clarice Falcão, Gregório Duvivier, diretor de edição e mais duas pessoas).


Diretor de edição: pessoal, a música ficou pronta. Vamos ouvir?

Todos: vamos!

(Diretor coloca a música. Ao final, todos em um silêncio constrangedor. Por fim, Clarice fala)

Clarice: meu, que bosta é essa?

Diretor: é sua música!

Clarice: mas isso ficou horrível. 

Diretor: foi o que deu pra fazer de melhor. A música é ruim desde o começo. 

Clarice: eu não vou divulgar isso! 

Diretor: o que fazemos? 

Pessoa 1: só se a gente compensar com o clipe. 

Clarice: sei lá...

Pessoa 1: faz um puta clipe e a gente consegue disfarçar a música ruim. É assim que funciona no show bussines, gente!

Diretor: tá, mas o que fazemos no clipe?

(novo silêncio)

Pessoa 1: e se a gente colocasse umas pirocas?

Diretor: você é louco?

Clarice: Piroca?

Pessoa 1: sim, faz um clipe fofinho, mas ao mesmo tempo coloca umas pirocas e umas bucetas bem feinhas, sabe? Aí você faz aquelas caras de paisagem que você faz tão bem pra fazer de conta que tá tudo certo. 

Pessoa 2: mas o que isso tem a ver com a música?

Pessoa 1: nada, mas o clipe vai ser tão impactante que as pessoas vão esquecer da letra. 

Gregório: gostei da ideia das pirocas. 

Clarice: Gregório, cala a boca!

Gregório: Clarice, é assim que funciona no Porta. As vezes a gente vê que o texto tá bem merda, aí fala mal da religião, que dá um puta impacto, e pronto. A visualização explode!

Clarice: e porque pirocas e bucetas feinhas?

Pessoa 1: você pode usar o discurso do padrão de beleza, essas coisas, sei lá. Vocês sabem disso melhor que eu.

Gregório: to gostando disso!

Pessoa 2: tá, e divulga isso onde?

Pessoa 1: no Youtube.

Diretor: mas o Youtube vai censurar, seu louco!

Pessoa 1: sim, aí a gente faz um barulho em cima disso. Fala que é censura, lembra dos tempos da Ditadura, etc

Pessoa 2: mas o Youtube censura qualquer coisa que tenha nudez, seja a música da Clarice ou não. Não é ditadura, é política do site, gente.

Pessoa 1: até que o público lembre disso, a gente já causou um barulho legal. 

Gregório: sim, aí fala que tem um contexto artístico...

Pessoa 2: desculpa, mas nudez artística é outra coisa bem diferente...

Gregório: sim, mas as pessoas não sabem disso. 

Pessoa 1: dá pra fazer até um discurso político disso.

Gregório: sim, põe a culpa no Temer e na direita conservadora que censura qualquer manifestação artística libertária. 

Clarice: Gregório, esquece o Temer, caralho. Parece que você tá apaixonado por ele! 

Pessoa 2: gente, não tem nada a ver uma coisa com a outra! Não tem nada de política, de conservadorismo, de arte, de libertarismo nem nada disso. O que vocês estão propondo se chama oportunismo. Aproveitar que há uma discussão forte sobre limites, sobre nudez na sociedade e tals e forçar a barra com nudez gratuita. 

Pessoa 1: e aproveitar pra fazer o público lembrar que a Clarice existe.

Diretor: é, porque se depender da música... (faz sinal de negativo).

Pessoa 2: puta que pariu, a música não tem nada a ver com nudez, gente. Não faz o menor sentido colocar piroca no clipe. Só vai criar debate fraco na internet. É isso mesmo que vocês querem? Para!

Clarice: tá, alguém tem outra ideia? Senão fechamos nessa.

Pessoa 2: e se você tentar outra música?

Gregório: meu, sai daqui seu tucano direitista golpista reaça. Deve ter votado no Aécio! Fora Temer!

(Pessoa 2 sai da sala)


***


Claro que não foi isso. Mas pelo clie e pela reação que causou, a reunião deve ter sido algo parecido. 

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