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Por que os americanos escolheram Donald Trump? | Opinião #76



"A vitória de Trump é a vitória de uma forma de ser dos americanos que vinha adormecida pelos oito anos do fraco Obama, mas que despertou e ganhou força nessa eleição."



Wes Talaveira


É muito fácil entender porque Donald Trump se candidatou ao cargo mais importante do mundo: o de presidente dos Estados Unidos da América. 

Trump encarna em si todos os defeitos de personalidade possíveis a ser humano, desde os mais leves, como a arrogância e sua costumeira falta de educação, até os criminosos, como o racismo e o sexismo. Mas em todos eles o narcisismo salta aos olhos. Donald Trump se adora, se considera um deus, um homem acima de todos, para quem não há limites e que deve ter à mão tudo o que quer. Pagar impostos? Isso é para os outros, não para Donald Trump. Respeitar minorias? Eles que se virem, eu sou a maioria. Ver mulheres como seres humanos? Imagine, eu sou Donald Trump e posso conseguir as mulheres que quiser, queiram elas ou não. Contribuir com o meio ambiente e reduzir a emissão de gases tóxicos? Isso é desculpa de vagabundo. Sim, é assim que ele pensa e foi assim que ele se tornou um dos maiores magnatas do mundo. Para um homem desses qual o maior poder possível? A política, claro. E para que começar como deputado, ou senador? Um homem de seu status não deve se conformar com um cargo pequeno como o de um deputado. Ele tentou logo a presidência do país. E, assim como sempre foi em sua vida, mais uma vez conseguiu o que queria. 

E é também muito fácil entender porque os americanos votaram em Donald Trump. 

Os americanos escolheram Trump porque se identificam com ele. Trump representa o típico americano retratado nos filmes e programas de humor. Homem, velho, branco com cabelo liso e topete estranho, bem sucedido, casado com uma bela mulher e pai de filhos bonitos. Os americanos, no fundo, sonham em serem ricos como Trump, e entendem que para “chegarem lá” é necessário abandonar certos escrúpulos, assim como seu heroi. A vitória de Trump é a vitória de uma forma de ser dos americanos que vinha adormecida pelos oito anos do fraco Obama, mas que despertou e ganhou força nessa eleição. A vitória de Trump é a vitória dos que falam sem pensar, dos que agem sem critérios, dos que enxergam causas progressistas como “coisa de comunista”. A vitória de Trump é a vitória do que chama gay de viado, do que considera deficiente físico um peso para a sociedade, do que pensa que negros deveriam voltar para a África, do que acha que lugar de mulher é em casa cozinhando e cuidando das crianças. A vitória de Trump dá voz a essas barbaridades que muitos americanos sempre pensaram, mas não tinham coragem de externar. A vitória de Trump é a vitória do intransigente, do fanfarrão, do mais esperto, do que tira vantagem sobre o mais fraco. A vitória de Trump é uma das coisas mais absurdas que se poderia pensar. Quem elegeu Trump são os que não estão nem aí para as instituições, os que não levam a democracia a sério, os que só ouvem o que agrada aos ouvidos, os que dão o maldito “voto de protesto”, que querem ver mesmo é o circo pegando fogo. O problema de querer ver o circo pegar fogo é que esse fogo pode acabar te atingindo. 

Claro, é fato que muito do barulho que se está criando com a eleição de Trump é desnecessário, pois quem conhece um pouco da mecânica do governo americano sabe que o presidente tem muito menos poder do que se imagina; prova disso é que Obama passou oito anos tentando proibir a venda livre de armas e não conseguiu. Qualquer mudança, qualquer projeto de Lei criado pelo presidente precisa passar pelo Congresso Americano, que já tem a fama de não ser lá muito amistoso. Alguns dirão que Trump terá a maioria por ser republicano, mas basta lembrar que ele não é unanimidade nem dentro do próprio partido. Porém o presidente americano usa principalmente de seu poder de convencimento, principalmente no que se trata de política externa. E essa eleição deixou claro que Trump é bom em convencer.

O que esperar de um "governo Trump"? Ninguém sabe, e as vezes acho que nem ele mesmo.


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Wes Talaveira
Publicitário, escritor e blogueiro há mais de 8 anos, já escreveu no Insoonia quando o blog ainda estava hospedado no servidor da MTV, além de outros portais de opinião. 

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