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O dia em que conheci Erica, ou minha primeira experiência com o Tantra | Especiais #27

Érica, terapeuta tântrica



Por Wes Talaveira


São 19:00. Consigo chegar no horário marcado, mesmo com o trânsito carregado do fim de tarde de Moema, zona sul de São Paulo. Anuncio na recepção o número do quarto e, depois de alguns minutos, sou autorizado a subir. No quarto andar toco a campainha do quarto indicado e ao abrir a porta, encontro Érica Aguiar, modelo de 22 anos que naquela próxima uma hora será para mim a terapeuta que irá me levar à minha primeira experiencia com o Tantra. 

Para entendimento do que vou descrever a seguir, é importante saber de fato o que é o Tantra, ou a massagem tântrica, até pra desfazer alguns tabus que ainda o cercam. Muito mais do que o contexto sexual, o Tantra envolve um conjunto de ensinamentos orientais que tem, a grosso modo, o conceito de liberdade individual como foco. O indivíduo é livre para ser o que quiser ser, da forma como se sentir melhor, em qualquer área da sua vida, inclusive a sexual, e o Tantra é um caminho que conduz a essa liberdade interior. No contexto sexual, o Tantra prega a união das energias sexuais como o ponto alto da liberdade humana, momento em que a pessoa está completamente desconectada do mundo externo e concentrada apenas em sua própria humanidade, sua interioridade. O momento do orgasmo, assim, passa a ser algo quase sagrado, já que é o ápice do encontro do homem consigo mesmo, com seus desejos mais profundos, e a relação sexual deixa de ser algo apenas erótico para ser o maior momento de interação humana, o ponto em que ambos deixam de serem dois individuais para serem um único ser conectados pela energia orgástica.

Meu nervosismo é visível. Nervosismo pela expectativa do desconhecido, sem saber o que iria acontecer de fato nos minutos seguintes, além do nervosismo pela beleza da terapeuta. Ela não é só bonita. É incrivelmente linda! Um espetáculo de beleza como se vê pouco por aí. Como se não bastasse o rosto lindo completado pelo sorriso envolvente, o corpo perfeito mostra uma sensualidade que parece exalar pelos poros (em outras palavras, ela é muito, muito gostosa!). A atração é inevitável!



Najima, terapeuta tântrica



Ela com certeza percebe meu nervosismo e sorri ao me oferecer água, que aceito numa tentativa de me acalmar, mas percebo ser uma ideia errada, pois tremia tanto que não conseguia segurar o copo, que quase caiu da minha mão. De forma muito doce ela me explica como funciona o Tantra e me oferece uma toalha para tomar um banho antes da sessão. Após o banho, saio apenas com a toalha envolta na cintura e entro no quarto onde a sessão vai acontecer. O quarto é pequeno, quase sem móveis. Apenas uma cama de casal, um guarda-roupa e uma mesa. A luz é baixa e no notebook toca alguma canção indiana que mais parece um mantra. Ela me pede que deite com a barriga pra baixo enquanto ela vai se preparar. Em poucos minutos ela volta; se senta sobre minhas pernas e me pede para relaxar. 

A sessão vai começar. 

Ela começa com movimentos leves sobre minhas costas, muito leves, que acabam por me fazer cócegas. Os movimentos se repetem várias vezes, seguidos de sopros que me causam fortes espasmos - na verdade o que sinto são cócegas, muitas cócegas! Me assusto no começo mas ela, de forma muito doce, me diz para acalmar e me entregar. Alguns minutos depois me pede para virar para cima, e após algum ritual que não entendi bem qual era, retoma a massagem, com movimentos novamente leves sobre minhas pernas e barriga, até que chega ao lingam, onde ocorre o ponto alto da massagem tântrica. 

Por lingam, entenda-se pênis. 

O que no começo parece uma simples masturbação logo se revela um mix de movimentos intensos, doces e ao mesmo tempo precisos sobre a próstata e a base do pênis, que vão se intensificando. Nesse ponto sinto uma sensação confusa de desejo sexual e leveza, que vai ficando cada vez mais intensa. E mais intensa. Sinto uma onda de calor tomar conta do meu corpo.  A respiração fica mais intensa. O prazer aumenta. Quando me dou conta estou em um estado de quase êxtase de tanto prazer, como nunca senti na vida. A sensação é a de que estou tendo um orgasmo, mas sem ejaculação, o tal "orgasmo seco" que o Tantra promete. A vontade é de gritar de prazer, mas consigo me conter. De repente sinto uma vontade intensa de tocar a terapeuta. Mais do que tocar. Sinto vontade de fazer sexo com ela. Uma vontade quase incontrolável. Sinto um desejo descomunal por ela. Tesão. Muito tesão. Mas um desejo diferente. Mais do que o tesão comum de um cara que está na cama com uma mulher bonita, sinto uma vontade inexplicável de compartilhar com ela toda aquela sensação maravilhosa que estou sentindo ali no momento. É como se ali o sexo fosse algo sacro, o clímax de um momento de bem estar supremo entre duas pessoas ligadas por uma energia maior.

Mas não, não houve relação sexual. Não sei se existe a possibilidade de acontecer, mas naquele dia não aconteceu.

Pouco depois tenho um novo orgasmo, mas agora não mais seco. Parece que entrei em transe de tanto prazer. A visão escurece rapidamente. Entro num estado de relaxamento como nunca senti na vida. Sinto sono. Ela se levanta para se limpar. Volta e conversa algo que nem lembro bem o que foi, já que estava relaxado de uma forma como nunca havia ficado antes. 

Me levanto para um novo banho. Após, conversamos ainda alguma coisa sobre a vida pessoal dela - vale destacar a simpatia dela que cativa até os mais incrédulos - e logo depois vou embora. A sessão encerra da melhor forma possível. Consegui vivenciar a experiência tântrica em sua plenitude.

Se recomendo? Sim, com certeza. O Tantra é mais do que sexo, é um reencontro consigo mesmo. Muito mais do que uma massagem relaxante, é uma sessão de descobertas. Vale a pena!



***


Wes Talaveira
Publicitário, escritor e blogueiro há mais de 8 anos, já escreveu no Insoonia quando o blog ainda estava hospedado no servidor da MTV, além de outros portais de opinião. 

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