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#Opinião: Quem elegeu Michel Temer? Você!








Por Weslley Talaveira


E ele tanto sonhou com esse dia, tanto trabalhou, tanto fez reuniões, tanto prometeu, tanto negociou, tanto treinou em áudios que vazaram sem querer que conseguiu. Michel Temer, o "Mi da Má", segundo a Revista Veja, deixou de ser um vice decorativo para se tornar o novo velho Presidente da República do Brasil. 

Durante o processo de Impeachment ouvimos todos os dias a ex-ainda-atual-presidente(a) Dilma Roussef e seus militantes-ecos (além dos clássicos "não-sou-petista-mas...") nas redes sociais alardearem aos quatro ventos que, entre outras bobagens, Michel Temer queria ser presidente sem receber nenhum voto. Espalhavam o discurso vazio, mas eficiente, de que Dilma havia sido eleita pelo voto popular com mais de 54 milhões de votos e queriam tirá-la para colocar no lugar alguém que não foi eleito. Inclusive o ex-presidente Lula (ele ainda tem alguma relevância? Não sei...) chegou a gritar em seus discursos que, se Michel Temer queria ser presidente, que disputasse eleições. 

Mas aí que tá. Michel Temer disputou eleições sim. Em 2010 e 2014 ele foi eleito legitimamente pelo voto popular, pela vontade soberana do povo que, num ato de belíssima maturidade e democracia, o escolheu como vice-presidente, derrotando em segundo turno os então candidatos tucanos Índio da Costa (vice de Serra) e Aloysio Nunes (vice de Aécio). 

Quem elegeu Michel Temer? Você que votou na Dilma. 

Só pra refrescar a memória
dos eleitores da Dilma
"Ah, mas eu votei na Dilma, não no Temer". Pois é, queridinha, o Temer estava na pacote que você comprou sem abrir. Michel Temer é tipo aquele cunhado ogro pentelho que você ganha de brinde ao se casar com aquela menina inteligente, engraçada e linda por quem você se apaixonou na faculdade. 

E não, Michel Temer não foi escolhido vice só pra enfeitar a propaganda. Seu partido, o ninho de abelhas intitulado pelos especialistas como PMDB,  é o maior e mais influente partido brasileiro. Apesar de mostrar força no Congresso Nacional, como ficou muito claro no processo de impeachment, a menina dos olhos peemedebistas são os municípios. O PMDB conseguiu eleger em 2012 nada menos que invejáveis 1024 prefeitos, quase o dobro dos prefeitos petistas. Ter uma base de apoio dessas nas cidades é garantia de vitória para qualquer um. Foi esse apoio que levou o PT a entregar o cargo de vice ao partido. Sendo o partido o maior do Brasil, óbvio que esse cargo seria entregue ao peemedebista mais forte do partido, o único com o poder sobrenatural de conseguir fazer o PMDB falar a mesma língua. Ele mesmo, nosso querido Michel. 

Lembro que em 2010, quando a Dilma era apenas a dona da bunda que iria ocupar a cadeira da presidência enquanto Lula planejava manter seu governo paralelo, comentei que dar todo esse espaço ao PMDB  - e principalmente escolher Michel Temer como vice - era o maior entre os erros que o PT poderia cometer, e que seria fatal. Acho que vou virar feiticeiro...

Um dos grandes problemas do eleitor brasileiro é nunca prestar atenção no vice. Estamos acostumados a nos informar sobre o candidato principal, ver o que ele propõe, e nunca observar o vice. Vice no Brasil é vaca de presépio: todo mundo sabe que está lá, mas ninguém dá a menor importância. Quer a prova? Responda sem pensar e sem consultar o Google: quem é o vice-prefeito da sua cidade?

Num país de democracia instável como o Brasil, onde nem sempre um eleito cumpre o mandato inteiro - seja para concorrer a outro cargo (alguém viu o Serra por aí?), seja por denúncias de corrupção - conhecer e observar o vice é de suma importância. Na história do Brasil os vices tiveram importância enorme, apesar da competência nem sempre estar presente. Basta lembrar que foi a fraqueza política de um vice após assumir o governo que deu origem ao Golpe Militar de 1964. Após a redemocratização em 1985, o vice já foi chamado a assumir o cargo três vezes - Sarney assumiu no lugar de Tancredo, Itamar no lugar do Collor e agora o Temer no lugar da Dilma. O vice é sim eleito democraticamente e seu mandato é tão legítimo quanto o do candidato principal. Temer é tão legítimo quanto foram Sarney e Itamar. 

Enfim, dizer que Michel Temer "não recebeu nenhum voto" é discurso de quem se arrependeu do vice que escolheu e agora busca um discurso capaz de neutralizar a burrada impensada no momento da aliança eleitoral. 

Temer é um monstro, que foi devidamente alimentado pelos petistas, políticos e eleitores. Temer é cria de vocês. Agora o aguentem! 

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