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Cunha, você tem que sair | Opinião #72




Por Weslley Talaveira

Em um momento tão conturbado como o que estamos vivendo atualmente, pelo menos em um ponto todos - ou a grande maioria - concordamos: apenas o Impeachment da presidente Dilma não vai resolver a corrupção no Brasil. É uma parte, mas não resolve o todo. O impeachment da presidente é o pontapé inicial de um longo processo para eliminar a corrupção desse país, o símbolo de que aos poucos o brasileiro está entendendo que a corrupção afeta a todos. Mas é apenas um pontapé. É preciso muito mais do que isso. 

E qual o próximo passo, após a queda da presidente? O que devemos reivindicar logo em seguida, se for o caso no mesmo dia, após a consumação do impeachment?

O próximo passo tem nome e sobrenome: Eduardo Cunha.

Eduardo Cunha tem que ser preso. 

Já não se trata mais de sair da presidência da Câmara, pois ele ainda teria o foro privilegiado. Nem de perder o mandato de deputado federal, pois ele perderia o foro, mas os crimes não seriam apagados. Agora é questão de cadeia. Eduardo Cunha representa o que há de mais podre, mais mesquinho e sujo da política brasileira. Cunha desviou dinheiro público da forma mais cínica e cretina possível. Cunha é hoje, em uma versão ampliada e moderna, o que foi Paulo Maluf nos anos 2000. Aliás, o cinismo com que Cunha encara as denúncias, os ataques e a Justiça é o mesmo: a mesma cara de paisagem e a rapidez para dar respostas vazias e insistir em uma inocência que nem os cadarços que amarram os seus sapatos acreditam existir. 

Eduardo Cunha precisa pagar pelo dinheiro que desviou do Brasil. 

E por que Cunha ainda está na Câmara? 

Porque poucos na política brasileira conhecem o poder com detalhes como Eduardo Cunha. 

Eduardo Cunha sabe cada detalhe de cada procedimento interno, de cada rito da Câmara. E sabe como se livrar e como livrar aliados. Esse é o tipo de pessoa que qualquer canalha de meia pataca (como a maioria da Câmara) quer ter por perto: alguém que ajude a "livrar a barra". Eduardo sabe fazer isso e cobra o favor, no mais sórdido "me ajuda que eu te ajudo". 

Não há a menor sombra de dúvida: Eduardo Cunha só abriu o processo de impeachment da presidente Dilma por vingança, por ter sido citado na operação Lava-Jato. Ele esperava que, assim como funciona com seus comparsas, o poder que ele carrega nas mãos fosse o suficiente para que o Planalto fizesse algo para limpar sua barra, tipo "me tira dessa que eu preservo seu mandato". 

E isso não aconteceu. 

E ele se vingou. 

Então, porque apoiar o impeachment aberto num ambiente desses?

Por que a forma como o impeachment foi aberta é péssima, mas o processo é legítimo. Não há qualquer golpe num Impeachment, e a presidente Dilma com seu partido sabem disso. Houve crime de responsabilidade, crime grave o suficiente para evar ao impedimento do governante. Usam o argumento do golpe porque é um discurso que encontra coro fácil entre as pessoas que estão indignadas com Eduardo Cunha. Se uma pessoa da pior estirpe como Cunha está na Câmara, qualquer coisa vinda dele não merece crédito. O argumento é fácil e parece imbatível.

Mas precisamos ter calma.

Eduardo Cunha não criou o Impeachment. O STF já deu várias declarações referendando o processo e o próprio Supremo ditou o rito a ser seguido. Dizer que o processo é um golpe é acusar o próprio STF de golpista. Isso é algo grave! Além disso, esse processo de impeachment aprovado pela Câmara não foi criado pelo Eduardo Cunha. Ele apenas deu sequência a um processo aberto pelos juristas Miguel Realli Júnior, Janaína Pascoal e Hélio Bicudo.

Ou seja, nesse processo de Impeachment Eduardo Cunha é apenas a ferramenta que garante o andamento do processo.

Mas isso não o torna "honesto".

Ele precisa sim sair da Câmara e ir para a cadeia.

Precisamos pedir e reivindicar isso. Pressionar nosso judiciário. Não tenho dúvidas de que ele será preso. Mas isso precisa ser feito logo.

Já pensou ele ser preso antes do Impeachment da Dilma acontecer? Que mensagem positiva nosso judiciário daria ao Brasil!

Eduardo Cunha, o Brasil tem vergonha de você! 

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