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#Opinião: E se Donald Trump fosse candidato a presidente do Brasil?




Weslley Talaveira

As eleições americanas são, inevitavelmente, assunto no mundo inteiro, uma vez que a escolha do líder da nação mais poderosa do mundo tem força para refletir por toda a parte, seja na economia dos países subdesenvolvidos, seja na relação com o terrorismo, e em outras várias áreas. 

Talvez seja por isso o espanto que vem tomando conta do mundo o crescimento da candidatura de Donald Trump. Consciente da força que tem seu voto, o mundo esperava dos americanos uma maior responsabilidade e bom senso no momento de escolher seu candidato, ou no caso das primárias, o candidato que vai representar seu partido preferido nas eleições que vão definir o sucessor de Barack Obama. Mas Donald Trump, pré-candidato pelo partido Republicano e empresário milionário, é tudo aquilo que não se espera de um presidente americano. Preconceituoso e intolerante, Trump mais parece um hater da internet, desses que povoam as seções de comentários dos grandes portais: seus discursos raivosos, ensimesmados e ultranacionalistas só ajudam a alimentar o ódio e a intolerância num país que já vem atravessando uma onde crescente de xenofobia contra imigrantes latinos e árabes. Trump se sente fechado num mundo particular, onde impera apenas sua vontade. Se se sente incomodado com a pergunta de um jornalista, simplesmente o expulsa da coletiva de imprensa. Se não gostou, ofende e persegue. O mesmo país que elegeu Barack Obama agora parece querer regredir na civilidade ao eleger alguém como Trump.

Mas se lá os americanos estão escolhendo Trump, por aqui não temos muito do que nos orgulhar, haja vista a ascensão de pessoas do nível de Jair Bolsonaro, Lula, Eduardo Cunha e Marco Feliciano, que a cada dia ganham mais força e confiança de uma parte do eleitorado brasileiro que, assim como o americano, vê na força bruta e na truculência o melhor caminho. 

Já que americanos e brasileiros estão se assemelhando em suas escolhas, e se trocássemos os candidatos?

Me perdoem os analistas políticos que por acaso lerem esse humilde artigo, pois não sou cientista político, analista nem nada do tipo. Sou apenas um publicitário e blogueiro que se dedica há alguns anos a analisar, de forma não tão profissional como os demais, a política no Brasil. E é essa análise que me permite a “viagem” necessária para imaginar Trump disputando a presidência do Brasil. 

Como seriam suas propostas em terras brasileiras? Tentei analisar as três principais, e que mais se encaixariam à nossa realidade: 

1) A mais polêmica proposta de Trump para os EUA é a construção de um muro na fronteira entre os EUA e o México, para barrar a imigração ilegal. No Brasil não temos problemas com imigração ilegal tão intensa como os EUA / México, mas temos haitianos e árabes fugidos do transtorno da Síria e vizinhos que chegam diariamente ao país em busca de melhores condições de vida. Como nenhum desses países fazem fronteira com o Brasil a construção de um muro não caberia por aqui. Mas um “Trump brasileiro” talvez criasse dificuldades banais para a entrada desses imigrantes, como proibir pessoas do Haiti e árabes no Brasil. Simples assim. É haitiano ou de qualquer país árabe? Negado, volte ao seu país. 

2) Deportação em massa: não contente em proibir a imigração, Trump quer enviar de volta aos seus países os quase 11 milhões de imigrantes ilegais que vivem nos EUA hoje. Já pensou o Brasil devolver ao seu país de origem todos os haitianos, árabes e pessoas de outros países que aqui chegam de forma ilegal? Isso iria de encontro a uma principal característica do nosso país: receber bem quem vem de fora. Principalmente em casos extremos como os haitianos, que vem fugindo de uma crise econômica e uma pobreza sem igual, enviar essas pessoas de seria no mínimo uma grande crueldade. 

3) Trump quer facilitar ainda mais o porte de armas no EUA, isso num país onde armas são vendidas em supermercados. Para Trump, armar a população é a melhor forma de proteger as pessoas, no melhor estilo “cada um por si”. Quanto aos atentados causados por loucos armados? Basta oferecer um tratamento mental. No Brasil o porte de armas de fogo é proibido, mas liberar esse porte agradaria uma boa parte não só do Congresso brasileiro, mas do setor de armas que faz um lobby intenso para a liberação do porte, e da sociedade que insiste que “bandido bom é bandido morto”. As consequências disso são imprevisíveis. Só dá para saber uma coisa: voltaríamos a algo parecido a selvageria. 

Sim, um Trump brasileiro encontraria aqui eleitores cativos, que o defenderiam e o tratariam como “Trumpmito” ou alguma bobagem do tipo. O que não faltariam por aqui seriam pseudo-conservadores – ou melhor, pessoas de mente fechada que sequer sabem o conceito de conservadorismo – para levar sua mensagem adiante. A diferença é que mesmo em uma possibilidade remota de uma eleição de Trump, as fortes instituições democráticas dos EUA barrariam boa parte das suas tresloucadas ideias. 

E no Brasil, quem iria barrar Trump?

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