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#Opinião: Em defesa da Anitta




Wes Talaveira

Sim, a Anitta foi o assunto da semana, depois que o Cid do Não Salvo resolveu trollar com a moça por causa de um concurso que ela lançou no Facebook. Deu certo pra ele, que ganhou a visibilidade que queria, já que o assunto virou notícia em vários sites  - trollar gente famosa sempre é uma boa tentativa de ganhar fama instantânea principalmente se o famoso cai na trollagem, e sim, ele já é famoso, mas com um público específico; ampliar esse público é o sonho de todo blogueiro. E deu certo pra ela, que está lançando álbum novo com todo um barulho em volta disso, e o que ela mais queria nesse momento era mídia espontânea, sem precisar forçar barra nem crucificar os coitados do pessoal do RP. 

E esse álbum novo também está dando o que falar, principalmente pelo estilo pop art da capa, feita pelo mesmo designer da Madonna. Se de um lado os fãs ficaram alvoroçados com o novo trabalho da "musa", por outro a legião de críticos da internet provou mais uma vez a força que tem para destilar preconceito e ódio pela rede.

Vi comentários do tipo "quem gosta de Anitta é burro", "Anitta só faz sucesso porque brasileiro não tem cultura", "as letras da Anitta não acrescentam nada" e coisas do tipo, esses mesmos comentários de sempre que você ou já usou ou já leu em algum lugar, seja com a Anitta, seja com algum outro. Tá, a Anitta não é nem de longe meu estilo preferido, mas confesso que tenho uma certa simpatia por ela. Explico porque.

Por um lado a Anitta é a personificação da falta de carisma. Ela não sabe sorrir, passa uma expressão forçada a cada vez que tenta ser simpática e tem frases prontas pra tudo que perguntam. Ela chega a ser meio robotizada às vezes. É o perfeito modelo de artista fabricado pela indústria da cultura de massas. Todos os movimentos dela são friamente calculados (!!!). A cada vez que ela conversa com alguém, se tem a impressão de que as perguntas e respostas foram previamente ensaiadas, com um roteiro muito bem feito por algum bom profissional de marketing pessoal, que a tenta transformar numa "diva".





Mas por outro lado não tem como ignorar o esforço enorme que ela faz pra tentar fazer uma música pop, no melhor estilo pop americano, em língua portuguesa. E sim, ela consegue. O novo clipe, que você pode assistir acima, caso ainda não tenha visto, tem grandes qualidades. Pelo menos é bem criativo. A referência à Anaconda, de Nicki Minaj, é perceptível a cada momento que ela vira a bunda para frente. Mas ela mostra, a acad música que lança, que sabe fazer música pop. Ela compensa a falta de carisma com uma intensidade quando canta que cativa até quem não a curte. Digo sem medo de errar que ela faz um pop no mesmo nível de grandes mulheres que cantam em língua inglesa como Beyoncé, Shakira, Miley Cirus, Britney Spears e Katy Perry. Qual a diferença entre elas? Basicamente, nenhuma. Todas são bonitas, usam a sensualidade pra se promover - o que não é nada de mais quando falamos de música pop - todas tem letras cheias de duplo sentido que não dizem muita coisa, mas com batidas dançantes e efeitos que marcam. Todas elas fazem a "música chiclete", daquelas que você canta sem perceber, e que sempre conhece pelo menos algum trechinho, por mínimo que seja. A diferença é que Anitta é brasileira e canta em português, e brasileiro só gosta do que é feito fora e em inglês.

Além disso tudo eu sei que ela é bem mais agradável do que a personagem sem sal que construíram para que ela exiba na TV. Quando ela sai do personagem "Anitta-sou-diva-e-não-posso-errar" e assume a Larissa de Macedo Machado, ela é muito simpática. Na verdade passei a simpatizar com o trabalho dela depois da entrevista que ela deu ao falecido programa Agora É Tarde, do Rafinha Bastos. Nessa entrevista ela mostrou uma espontaneidade que assustou até a produção do programa. Estava a vontade, ria, reclamou da mídia que transforma em manchete tudo que ela diz, brincou com fãs e ainda mostrou várias vezes pra quem quisesse ver que estava afim do Rafinha, principalmente no final da entrevista. Sim, ela parecia que tinha bebido alguma coisa antes de entrar no ar... rs

Tá, falei tanto, agora vou ter que postar a tal entrevista. Tá aí!





Sem contar que ela é um espetáculo de linda, né! Fala sério, diga que a música dela é ruim, que ela é sem graça ou o que quiser, mas não diga que ela é feia que aí eu vou discordar! Tá, é uma beleza construída, fez plástica, antes da fama ela era nariguda e eta e tals. E daí?

Enfim, acho muito válida a iniciativa de fazer música pop impactante em língua portuguesa, principalmente se pensamos que o público alvo da Anitta é composto por pessoas habituadas a indústria musical americana. Se Anitta cantasse em inglês e lançasse Bang nos EUA ela com certeza estaria entre as dez mais tocadas de sei lá onde. Como é aqui no Brasil a crítica corre solta. Solta como correu quando Michel Teló ganhou o mundo com sua música bestinha "Ai se eu te pego"

Vai lá, Anitta, faz seu trabalho! Quem gosta, que aprecie, quem não gosta, não ouça. Simples assim!


***


Wes Talaveira é publicitário, social media e mora em SP 

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