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Deus "ama" os gays? | Crônicas #36








Por Weslley Talaveira

Houve uma época em que o deus cristão não gostava de mulheres. Exceto a Virgem Maria, elas eram seres inferiores que não mereciam atenção, criadas por um deus masculino (de preferência europeu de olhos claros e pele branca) para serem meros recipiente de fetos e objeto para satisfação sexual dos homens, sua criação preferida. Mulheres eram o "sexo frágil" que para nada serviam sem a companhia de um homem. Daí a cobrança da sociedade para que todas as mulheres fossem casadas: mulheres são inúteis se não tiverem um homem à sua frente. Mulheres não podiam ocupar cargos importantes na sociedade nem ter qualquer destaque. Nem votar podiam! Aí inventaram a tal da democracia, umas mulheres não sei onde queimaram uns sutiãs, outras colocaram fogo num galpão em algum lugar no mundo e os homens enfim reconheceram que mulheres devem ter os mesmos direitos dos homens. Diante dessa mudança na sociedade o deus cristão foi obrigado a concordar e passou a amar também as mulheres. 


Num outro momento da história o deus cristão não gostava de negros. Eles deviam ser usados apenas para servir como escravos aos brancos, sua criação preferida. Negros eram criaturas amaldiçoadas pelo deus cristão desde Caim. Isso explicava a miséria da África: punição divina a uma raça inferior. Essa foi a crença que apoiou o apartheid nos EUA, África do Sul e outros países. Além do mais as religiões de "magia negra" foram criadas pelos negros. Isso só piorava a situação deles diante do deus cristão, que já não gostava nem um pouco da cor de pele escura. Aí os negros resolveram protestar contra sua servidão, um tal Martin Luther King fez um discurso numa praça nos EUA, aquele senhor simpático chamado Nelson Mandela lutou até o fim pelos direitos das pessoas de pele negra igual a sua, uma costureira birrenta chamada Sara Rosa Parker resolveu questionar o apartheid americano e os brancos acabaram por aceitar que a cor da pele não importa. Aí o deus cristão foi obrigado a gostar de negros. Hoje em dia tem "servos" negros, pastores negros, bispos negros e veja só: os EUA, a nação mais poderosa do mundo e, segundo os cristãos, a nação preferida pelo seu deus depois de Israel, é governado por um negro.

Atualmente o deus cristão ainda não gosta de homossexuais. Para o deus cristão a homossexualidade é algo impensável e que deve ser combatido com violência até, se for necessário. Para isso ele levanta pastores homofóbicos e intransigentes, defensores da "família tradicional" e grupos fanáticos, tudo com o objetivo de repelir e converter a força esses homossexuais. Para combater essa prática horrível ele usa até mesmo os negros e mulheres que outrora ele também odiava. Mas isso deve ser passageiro. A sociedade vem mudando. Aos poucos, pessoas em toda parte vem se conscientizando de que a orientação sexual, assim como a cor e o sexo, não são determinantes da personalidade de ninguém. E assim como o deus cristão passou a gostar de mulheres e negros, é provável que daqui a uns anos ele passe a gostar de gays e lésbicas, também.

Viu como é fácil manipular Deus? Os fanáticos religiosos creem numa coisa, aí a sociedade muda a forma de pensar e eles são obrigados a mudar o deus em quem acreditavam, isso porque acham que Deus é da forma como eles o veem. Criam para si uma imagem divina de acordo com sua conveniência e a pregam por aí como sendo "o único e verdadeiro deus".

Essas pessoas precisam entender uma coisa: a liberdade religiosa está aí para que eles possam crer no que quiserem. Se querem crer que seu deus não ama gays, sejam livres para isso. Mas crer é uma coisa. Querer impor sua crença à toda a sociedade é outra. Façam novas igrejas que pregam sua mensagem. Preguem. Mas não imponham sua crença. Ninguém é obrigado a crer no deus que você crê.

Creia. E dê aos outros a liberdade de crerem em coisas diferentes do que sua religião prega. 

2 comentários:

@Will_x3 disse...

Belo texto como sempre!

Concordo com cada palavra, acho um absurdo essa manipulação!

silva disse...

As pessoas não podem mais ficarem a mercer de opiniões marchistas:

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