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Dona Neli: a boa árvore dá bons frutos #Mulheres2014



Pelo Facebook, o Blog Novas Ideias lançou a proposta de leitores enviarem histórias inspiradoras de mulheres comuns, para encerrar a série Mulheres com Novas Ideias desse ano. Entre todas as histórias enviadas a selecionada foi a da curitibana Letícia Lima, que contou a história de dona Neli, sua avó que faleceu em 2013. 

Acompanhe:

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Na música “Todos os defeitos de uma mulher perfeita”, Chorão descreve em seus versos algumas qualidades de uma “mulher perfeita” – Com força, sensibilidade e garra. Entre outras qualidades, é a partir desses versos que conto a história de minha avó – aquela que possui todos os “defeitos” de uma mulher perfeita. 

Nascida em meados de 1949, no interior do estado do Paraná, Neli, desde a sua adolescência, sempre pensou diferente das condições em que vivia em Ibaiti. Vivendo com pais com problemas psíquicos e irmãs “garota de programa”, resolveu cedo começar sua aventura de sobrevivência, indo á capital paranaense, com o objetivo de trazer bons benefícios aos seus parentes com seus estudos. 

Enfrentou fome, humilhação, e exploração, sobrevivendo como doméstica de tios, em suas horas livres se empenhava em estudar cursos e línguas. Aos 15 anos, já era fluente no alemão. 

Na vida adulta, conheceu o homem com quem vivera o resto de sua velhice: Aristeu. 

Começaram sua jornada aos 23 anos, morando em um quarto alugado, comendo os restos de alimentos do lixo, e ajuntando o resto do que tinham. Meu avô trabalhando com toras pesadas de madeira (o que causou hérnia no futuro) e minha avó de “sacoleira” batendo em porta em porta em busca de sustendo. 

O fruto do suor trouxe um terreno avaliado em mais de um milhão de reais. Sua promessa foi comprida: cuidou de seus pais até a morte. Cuidou de suas irmãs até quando sua doença permitiu. 

Ajudar parentes não foi o bastante para ela, em sua casa, passaram mais de 30 jovens desabrigados, que assim como ela, não tinham o que comer, ajudou-os para que eles tivessem uma vida digna, assim como ela conquistou. Evangelizou milhares de pessoas, no Paraná e afora, mostrando que Jesus, foi o pilar de onde ela chegou. 

Infelizmente, o antônimo de perfeição é a falha, e ela como humana, morreu aos 64 anos com problema pulmonar e indício de câncer. E é a ela a quem dedico meu texto, a mulher que foi a heroína do meu viver, que por meio de dificuldades me ensinou a ter valor a um prato de comida e a ela, a quem me incentivou ao meu estudo, a ela, a minha entrada numa faculdade pública, obrigada vó, sem você eu não teria tantos bons frutos . 

Descanse em paz.
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