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Alain Resnais, inovador aos 91 anos | Vamos Mostrar Cultura #12




Por Wes Talaveira


Muita gente torceu o nariz quando o Festival de Berlim atribuiu a Alain Resnais o prêmio Alfred H. Bauer por Aimer, Boire et Chanter. E há que se entender o estranhamento: um prêmio de inovação a um cineasta de 91 anos que traduziu para o cinema, de forma completamente artificial, uma peça de teatro.

Mas quem conhece o histórico de Alain Resnais sabe que ele merece esse e qualquer outro prêmio que se possa entregar, por sua obra composta por quase 50 filmes, entre eles Hiroshima Meu Amor e O Ano Passado em Marienbad. Resnais foi a grande estrela da Nouvelle Vague, movimento responsávle pela renovação do cinema francês nos anos 50, que culminou por influenciar todo o cinema cult ao redor do mundo.

Aqui no Brasil, mais precisamente me São Paulo, Resnais marcou história entre os amantes do bom cinema com o filme Medos Privados em Lugares Públicos, de 2006, que ficou mais de três anos em cartaz e acabou por se tornar parte da história do extinto Cine Belas Artes, na esquina da Paulista com a Consolação.

Falecido na madrugada de sábado 01 de março, Resnais é a prova de que algumas pessoas são, sim, insubstituíveis. Sua maior capacidade era conseguir retratar, de modo singelo e delicado, a profundidade humana, com suas dificuldades e medos. Cada diálogo, muitas vezes mais parecendo monólogos, e suas cenas longas de silêncio total, combinadas com cenas panorâmicas que nos fazem sentir parte do elenco, são a prova de sua sutileza e sua sensibilidade ao criar roteiros.

Alain Resnais vai fazer falta.


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Wes Talaveira
Publicitário, escritor e blogueiro há mais de 8 anos, já escreveu no Insoonia quando o blog ainda estava hospedado no servidor da MTV, além de outros portais de opinião. 
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