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#Opinião: Você é dono da sua cama!




Por Weslley Talaveira

É, não tem jeito: o assunto do momento é o tal beijo gay da novela da Globo, no último capítulo da novela Amor a Vida, entre os atores Mateus Solano e Thiago Fragoso. O alarde é desnecessário, até porque nem é o primeiro beijo gay da TV brasileira. Em 1990, a minissérie Mãe de Santo, da extinta TV Manchete, exibiu o real primeiro beijo gay da TV, entre os atores Daniel Barcelos e Raí Alves, que na época nem chamou tanta atenção pela baixa audiência da série. Em 2009 a própria Globo exibiu, na série Força Tarefa, um selinho bem meia boca (o trocadilho não foi intencional, juro!)  entre Fabíula Nascimento e Hermila Guedes. E em 2011 o SBT exibiu outro beijo gay, na novela Amor e Revolução, entre as atrizes Gisele Tigre e Luciana Vendramini (e esse sim foi um beijo, com direito até a pernas entrelaçadas, e não um selinho como nos anteriores). Ou seja, não existe qualquer protagonismo no beijo exibido pela Globo. O que existe sim, mais que nos outros, é o estardalhaço que ainda se faz com a homossexualidade no Brasil. 

Uma coisa é fato: quanto mais pregamos o respeito, mas incentivamos a diferença. Ao criar todo esse barulho em torno de um beijo gay não estamos incentivando a igualdade, mas sim reforçando a diferença. Estamos mostrando ao mundo: "olha, dois homens se beijando é uma coisa totalmente bizarra, mas a gente aceita isso. Olha como somos evoluídos!". Sim, é essa a mensagem que se passa quando se cria todo um barulho desnecessário em torno de uma situação que não diz respeito a ninguém a não ser a quem vive aquilo. Que tenho eu com a vida de um homem que geneticamente gosta de outros homens? Que direito eu tenho sobre a vida dessa pessoa? Quem me estabeleceu como juiz para dizer que tipo de beijo deve ser aceito pela sociedade e qual não deve? Qual poder eu tenho sobre a vida de pessoas que nem conheço pra dizer qual relação sexual é aceitável e qual não é? Você é dono da sua cama e leva pra ela quem quiser, seja homem, mulher, dois homens, duas mulheres, um homem e uma mulher, fique à vontade!

Apesar de já ter usado essa expressão num outro post, ela cabe aqui, também: mais que a tolerância, precisamos praticar a coexistência. Quem coexiste vive junto, sem se importar se o outro é diferente ou não, seja gay, anão, loiro, gordo, negro ou como quer que seja. E quando vivemos juntos não nos importamos com o que o outro faz ou deixa de fazer. A vida pessoal não deveria ser motivo de estardalhaço, como se faz agora com os gays. 

Enfim, o barulho em torno do beijo gay da Globo só mostra como ainda nos assustamos com o diferente, e como nossa sociedade ainda não está pronta pra lidar com isso, por incrível que pareça. 

Mais amor, por favor. Venha de quem vier!
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