O Jogo do Anjo #Livro


Terminei de ler hoje - depois de alguns meses - o livro de Carlos Ruiz Zafón que encerra a sequência sobre o Cemitério dos Livros Esquecidos. O Jogo do Anjo, apesar de ser o terceiro livro, é o que inicia a história dos Sempere, que apesar de protagonistas nas histórias anteriores, tem um papel coadjuvante, mas não menos importante, nesse livro. 

Em o Jogo do Anjo o ambiente é a Barcelona dos anos 20 e quem tem a palavra é David Martín, jovem escritor que realiza seu sonho ao ser contratado para escrever com um pseudônimo para uma editora desconhecida que investe em Ignatius B. Sansom, nome escolhido para Martín. Apesar do sucesso sem igual das histórias publicadas que resultou na compra de uma mansão em um local privilegiado de Barcelona e uma certa estabilidade financeira, David ainda não se sente realizado, principalmente por não ver seu próprio nome impresso em seu trabalho. Seu único amigo é o também escritor Pedro Vidal, homem rico de Barcelona que se torna referência para David. Além disso, uma doença grave consome rapidamente a saúde de do jovem, que vê a morte cada dia mais perto. É nesse ambiente conturbado do psicológico de Martín, um misto de sentimento de brevidade da vida com o orgulho ferido como escritor, que entra na história Andréas Corelli, um editor misterioso e com um discurso retórico de dar inveja a qualquer filósofo grego. Corelli quer por toda maneira contratar Martín para ser seu escritor num projeto pessoal ambicioso e com potencial de mudar o mundo, e para isso está disposto inclusive a arcar com a multa milionária pela quebra de contrato de David com a editora para a qual trabalha. Mas Martín, desconfiado da proposta pela qual é muito bem pago, logo percebe que se envolveu uma história muito mais complexa do que um simples livro, uma situação que irá remexer com passados que muitos tentam esquecer e revirar histórias que alguns estão dispostos a não tocar mais. 

Apesar de muito fantasiosa, a história de O Jogo do Anjo é envolvente, marca inconfundível de Zafón. Em alguns momentos é impossível parar de ler, principalmente nos momentos finais da história. Na sequência do Cemitério dos Livros Esquecidos Zafón usa o recurso dos historiadores de contar uma grande história de trás para frente - a sequência começa com a história de Daniel Sempere, o "Sempere Júnior" em A Sombra do Vento (que tem a presença marcante de Fermín Romero de Torres), volta um pouco no tempo em O Prisioneiro do Ceu e explica algumas coisas sobre o Sempere Pai e Isabella, a mãe de Daniel, e chega aos primórdios em O Jogo do Anjo, com a história do "Sempere vô" (título meu, em nenhum momento do livro ele é chamado assim). Para mim, a grande sacada de Zafón nesse terceiro livro foi deixar algumas dúvidas na história: Isabella, a jovem assistente de temperamento forte, sentia algo por David Martín? E outra dúvida que cerca toda a história e que fica ainda mais nítida no final: tudo o que David Martín conta aconteceu realmente? (Dúvida essa respondida em O Prisioneiro do Ceu, segundo livro da sequência). 

Enfim, para os amantes de histórias de suspense, fica a dica!

E amanhã mesmo começo minha nova leitura, Eu Sou Malala

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