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#Opinião: Meu receio com o "Movimento Nova Política"



Weslley Talaveira

Sim, antes de qualquer coisa sou um grande admirador da Marina Silva. Ela tem uma história de vida inspiradora, dessas que nos fazem olhar para nossos problemas e ver como reclamamos por tão pouco, e como não fazemos quase nada para mudar nosso mundo. Marina Silva é o modelo de superação, de luta por um sonho e de um ideal a se seguir. Talvez até mais do que Lula, de quem admiro a história mas rejeito a trajetória política atual. Marina Silva não trai as próprias convicções em nome de "governabilidade", como fizeram os petistas. Aliás, ela não teve nenhum problema em sair do partido que ajudou a fundar quando percebeu que as coisas por lá haviam mudado muito. Marina Silva é um pedaço, um modelo da história recente do país. E deve - ou deveria  - ser motivo de orgulho para nós brasileiros termos uma pessoa como Marina Silva, reconhecida mundialmente pela sua forma de fazer política, mas por vezes desconhecida em seu próprio país. Votei em Marina Silva em 2010, quando sua candidatura rompeu com uma prática perigosa para qualquer democracia madura: a polarização. Ela não foi eleita, mas sua candidatura mostrou um desejo latente dos brasileiros: a mudança. 

Mas tenho certo receio, não necessariamente com a Marina, mas com o Movimento Nova Política, criado a partir dos simpatizantes da Marina e de pessoas que a acompanharam quando ela saiu do PV, em 2011. Para esses militantes, Marina Silva é a esperança de uma política diferente, mas aí está um dos problemas que enxergo quando se fala no nome da ex-ministra: o messianismo em torno da pessoa dela. Marina Silva é vista, entre os militantes do Movimento, uma espécie de Salvadora, uma versão política do Messias prometido aos Judeus, com o objetivo de transformar a política. Que a política brasileira anda muito mal das pernas isso não tem como negar, mas colocar toda essa responsabilidade de mudar a política nas costas de uma única pessoa é algo perigoso. Essa mesma esperança se colocou nas costas do Lula e deu no que deu: o símbolo da ética e da honestidade protagonizou o maior escândalo de corrupção da história desse país. Não tenho dúvidas de que, diferente do Lula que sempre usou a política apenas como forma de satisfazer sua sede de poder, Marina tem boas intenções. Ela tem sim o sonho de mudar a política e parece que sabe o caminho para isso, mas ela parece simplificar demais algo que é muito, muito complexo. 

Meu outro receio é com o fato de  Movimento Nova Política ser a base do futuro partido que será criado para lançar Marina candidata à presidência em 2014. Mas pera: criar um partido com o objetivo de lançar alguém como candidato: algo novo nisso? Mais da metade dos partidos brasileiros foram criados com essa mesma intenção. Além disso o MNP promete que, em seu novo partido, 50% dos membros serão "militantes autorais", ou seja, poderão usar o partido para defender uma causa pessoa na qual tenham o sonho de lutar. mas não é exatamente isso que faz o PMDB, PSB e o famigerado PSD do Kassab?

Outra: o partido promete não receber doações de empresa, apenas de pessoas físicas. Tá, mas o problema com o modelo atual de doação de dinheiro para campanha política não é necessariamente de onde vem as doações, mas sim o fato de essas declarações serem ocultas. E se a mesma empresa fizer uma doação "indireta", a partir do dinheiro pessoal do presidente da empresa, via CPF? E se um milionário cheio de segundas intenções resolve injetar dinheiro numa campanha? A forma pode ser diferente, mas a prática é a mesma. Não seria muito melhor que a mesma empresa que doaria dinheiro para uma campanha pudesse continuar doando, mas agora tudo declarado e exposto no site do partido? Para campanha do candidato X a empresa Y dou Z Milhões. Isso ainda seria melhor que o tal financiamento público de campanha, que nada mais é usar dinheiro público, já usado para pagamento de salário e despesas de político, agora também para as campanhas eleitorais. 

Ou seja, no papel, no discurso messiânico muita coisa parece bonita e suficiente, mas colocando-se a luz da realidade dá pra perceber que muito do que o tal Movimento Nova Política prega não funcionaria na realidade. Sonhar é muito bom, mas quando se trata de política e de decidir os rumos do país, é preciso sonhar acordado, com os pés no chão. 

Querer mudar por mudar, sem saber exatamente o que e como, pode ser tão danoso quanto deixar tudo como está. 

Me inspirei nesse post.Antes de simplesmente me detonar com críticas e ofensas entenda que tudo que tem boa intenção está passível de críticas. Inclusive a Marina Silva.

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